Decidi finalmente criar essa página(aba) para registrar os relatos de minha autoria na época que treinava Kenjutsu, seguindo deste modo o foco do blog que é mostrar o sentido do Bushido. Você leitor poderá conferir como é a prática da filosofia abordada na página principal. No entanto é relevante lembrar que a verdadeira prática é no dia-a-dia(fora do dojo) e não somente no dojo. Para esclarecimentos de certas palavras citadas criei a página “Vocabulário” para facilitar o entendimento daqueles que estão começando. Comece a leitura de baixo(final da página) para cima.

 

 

8º Relato – Grande Cotidiano

Unidade Viçosa- dia 11/09/05

 

 

Desde que cheguei ao campus, senti algo diferente.

Subitamente ventos fortes viam de todas direções, chuva de folhas molhavam minhas vistas, uma tempestade estava por vir.

Como combinado, eu e Marco treinamos alguns katas antes do treino. Assim que todos chegaram, posicionados os bogus, Sempai Rodrigo deu o comando. Iniciava mais um treino na Unidade Viçosa.

Sempai Rodrigo terminado os alongamentos responsabilizou-me o kihon básico, enquanto colocava o bogu. Ao fim do kihon, Sempai de bogu deu o comando de encerramento. E também para que eu e Marco colocassemos o bogu enquanto passava Men, Kote e Do Uchi ao Rafael.

Em seguida treinamos muito koshi em duplas ou enfileirados vários exercícios foram executados, para fortalecé-lo, como Ricki Men, Kote e Do.

Pela segunda vez Rafael colocava o bogu, Sempai Rodrigo o ajudava enquanto treinava com Marco mais algumas seqüências do exercício anterior.

Todos de bogu, Sempai Rodrigo de juiz iniciou o keiko, aquele que ganhava permanecia, o koshi antes treinado agora nos fortalecia.

Novamente Sempai Rodrigo colocava o bogu iniciando o shiai 2×1, o qual eu defenderia o terrítorio neste dia. Como o vento daquela manhã atacava-os em todas as direções, o suor molhava minhas vistas e uma tempestade de kiai nos envolvia.

 

Narabe, mokuso, mais um treino terminava.

Sempai Rodrigo convocou-nos ao zen, em seiza, foram os minutos de ouro. Fazer de nosso cotidiano grande, foram as palavras do Sensei transmitida.

 

Domo Arigato Sempai Rodrigo, e kohais

Domo Arigato Sempai Wenzel

Sayonara,

Edson Cabral

 

 

7º Relato – Defendendo o território

Unidade Viçosa- dia 04/09/05

 

O treino de kenjutsu foi feito no Campus da UFV, as nove horas da manhã.

Apesar do tempo com nuvens carregadas, o céu se abriu minutos antes assim que Sempai Rodrigo chegou, podemos assim ver o sol naquele instante e o ceú azul cada vez mais infinito.

Assim que os kohais posicionaram os bogus, Sempai Rodrigo deu o comando começando mais um treino da Unidade Viçosa.

Terminado as reverências Sempai Rodrigo após os alongamentos me responsabilizou o kihon básico enquanto ele executava katas de Jojutsu. Senti naqueles instantes que o treino passado com os katas fez a grande diferença,todos estavam mais concentrados, os golpes fluiram com leveza e o kiai mostrou sua agressividade, fazendo aqueles que ali passavam parar para nos observar.

Em seguida Sempai Rodrigo ordenou que eu e Marco colocassemos o bogu. Iniciando keiko com Marco onde passou algumas noções do estilo correnteza do leste e yagyu, fiquei encarregado de passar Ricki Men, Kote e Do nas quais Rafael desconhecia.

Depois todos praticaram várias seqüências de Kaeshi Men, Kote e Do, fortalecendo mais o espiríto, que estava por vir.

Assim sendo, Sempai Rodrigo colocou a prova que o Marco tinha aprendido até então, mais que isso. Delimitando o espaço e colocando dois adversários ao mesmo tempo, Marco teria de defender seu território mesmo nestas circunstancias extremas. Sempai Rodrigo e eu atacavamos ao mesmo tempo, no começo Marco se mostrou indeciso mas logo enxergou que a única saída era o ataque aliado ao kiai forte, somente quando chegou neste ponto, depois de muito lutar, que Sempai Rodrigo deu por fim o shiai.

Narabe, mokuso, terminava mais um treino, defender o terrítorio como defender a vida, atacar é a melhor defesa.

Domo Arigato Sempai Rodrigo, e kohais

Domo Arigato Sempai Wenzel

Sayonara,

Edson Cabral

 

 

  

 

6º Relato – Um único espírito

Unidade Viçosa- dia 10/04/05 

 

 

O Sol brilhava intensamente, brilho este que refletia em nossos mens.

Éramos três, três bogus, três espadas, um único espírito.

Narabe, o treino começou. Após as reverências, os alongamentos se deram início.

Em seguida fizemos jogueiburi, nanameburi e tsuburis, cruzamos as espadas e com um único espírito o kihon se manifestava.

Zen Chi Kotai No Men Uchi, Zen Chi No Men Uchi, do começo ao fim do kihon, dentre outros exercícios coordenados pelo Sempai Rodrigo, corrigiu-nos pequenos detalhes, da postura ao ataque. Para que somente a partir daí colocarmos os bogus.

Do e Tare apenas. Sempai Rodrigo coordenou novos exercícios e corrigia-nos novamente. Para que finalmente o Men e Kote juntassem a nós.

Diante a tudo isso, Sempai Rodrigo colocou a prova o que aprendemos e corrigimos, em Keikos e Shiais.

 

Três bogus, três espadas, o mesmo espírito…

 

Narabe, mokuso, o treino terminou.

Em seiza na sombra de uma arvore estávamos. Sem bogus e espadas, o espírito único em nada alterava.

 

Domo Arigato Sempai Rodrigo, e kohais

Domo Arigato Sempai Wenzel

Sayonara,

Edson Cabral

 

 

5º Relato – Trilhas no Caminho

Unidade Viçosa- dia 03/04/05

 

 

O treino de kenjutsu foi feito no Campus da UFV, as nove horas da manhã.

Todos chegaram cedo, nos arrumamos. Posicionamos os bogus, empunhamos as espadas e se dera início a mais um treino da Unidade Viçosa.

Narabe, todos enfileirados. Sol escondido entre as nuvens negras e grama recém-cortada não eram as nossas únicas companheiras.

Os alongamentos entre todos foram neste dia uns minutos a mais, tínhamos um interessado e nele se via um futuro irmão da espada.

Após os alongamentos puxados por mim, Sempai Rodrigo me coordenou várias seqüências de kihon para eu puxar com os kohais e a ele ficou somente com o interessado.

Assim sendo, foi puxado muito kihon, enfileirados estávamos, o kiai contínuo ecoava dentre as montanhas, seguíamos juntos em idas e voltas, por fim percebemos uma longa trilha dos nossos suriashes naquele gramado.

Sempai Rodrigo vendo a tudo isso, fez com que após as coordenadas executadas, fosse o momento de colocar os bogus.

Foi então que começamos a puxar vários kakarigueikos e kirikaeshis.

Finalizando o treino, eu e o Sempai Rodrigo puxamos Keiko e Shiai.

 

Narabe, mokuso, terminava mais um treino.

Kakarigueikos, kirikaeshis, keiko, shiai foram as trilhas que deixamos no Caminho.

 

Domo Arigato Sempai Rodrigo, e kohais

Domo Arigato Sempai Wenzel

Sayonara,

Edson Cabral

 

 

4º Relato – Corrida sem tréguas

Unidade Viçosa- dia 27/03/05

 

 

O treino de kenjutsu foi feito no Campus da UFV, as nove horas e quinze minutos da manhã daquele domingo de páscoa.

Vinha de Juiz de Fora. Ônibus atrasado, bagagem extra e o sol não davam trégua até a chegada ao dojo fizeram de minha corrida ainda mais exaustiva.

Chegando ao treino, exaustivo do início ao fim, procurei de me alongar e executar os exercícios iniciais como o Sempai Rodrigo tinha me colocado. Várias seqüências de jogueiburi, nanameburi, tsuburis seguidas de muito kihon para finalmente cruzar as espadas com os demais que estavam praticando katas com o Sempai.

Após os katas Sempai Rodrigo puxou muito kihon, kakarigueikos iam e viam exaustivamente, dando por fim teve kihon entre eu e o Sempai Rodrigo, a muito tempo que não sentia a shinai pesada como aquele dia.

Narabe, mokuso, terminava mais um treino, dia sem tréguas e shinai pesada.

 

Na próxima corrida será prazerosa…

 

Domo Arigato Sempai Rodrigo, e kohais

Domo Arigato Sempai Wenzel

Sayonara,

Edson Cabral

 

 

3º Relato – Juntos no Caminho

Unidade Viçosa- dia 13/03/05

 

 

O treino de hoje foi feito no Campus da UFV, às nove horas da manhã.

Dia ensolarado, brisa fresca e o orvalho ainda na grama, dia ideal para caminhar, o caminho da espada.

No treino de hoje decidimos treinar em local mais aberto onde todos que ali passavam paravam para observar e interessados não deixavam de se apresentar.

Decididos estávamos, o kihon que se iniciou forte no treino passado estava em nós mais uma vez.

Sem perder tempo começamos os alongamentos, instantes depois empunhamos as espadas e fizemos várias seqüências de jogueiburi, nanameburi e tsuburis, cruzamos as espadas e o kihon começava.

Sempai Rodrigo do início até o fim do kihon nos mostrou a importância do zanshin, sendo assim não tínhamos obstáculos, o chão ingrato que esteve presente no último treino nos fortaleceu, mas a grama daquele dia nos deu a oportunidade de conquistar mais um passo no caminho, através do koshi.

Koshi, Kihon e Kiai, foi o que mostramos para os interessados que ali se encontravam. Sempai Rodrigo puxou kirikaeshis e colocou a prova nosso esforço anterior, Ricki Men, Kote e Do, todos juntos, onde o Kiai comandava o ritmo do treino, sentimos com isso o Kiai da nossa unidade dando o seu sinal.

Kiai este  que se seguiu pelo shiai e fazia carros que ali passavam parar para nos observar, era o sinal.

Narabe, mokuso, terminava mais um treino. Em seguida Sempai Rodrigo conversou com os interessados.

Era o sinal. A Unidade Viçosa dando mais um passo no Caminho naquele dia ensolarado…

 

Domo Arigato Sempai Rodrigo, e kohais

Domo Arigato Sempai Wenzel

Sayonara,

Edson Cabral

 

 

2º Relato – Sol entre as nuvens

Unidade Viçosa- dia 06/03/05

 

 

O treino de kenjutsu foi feito no Campus da UFV, as nove horas da manhã.

Desde dezembro que não treinávamos em Viçosa, passamos todo o verão treinando em Juiz de Fora, foi uma surpresa ver que até mesmo o clima parecia o mesmo como tínhamos deixado antes, parecia que o tempo tinha parado, a mesma vontade de erguer a unidade prevalecia em todos nós, mas agora ressurgindo como uma fênix…

Desde a minha chegada em Viçosa, o tempo estava nublado, as nuvens cobriam as montanhas, um ar frio enchia nossos pulmões. Sempai Rodrigo chegou. Trouxe consigo muitas novidades…

O treino começou, após os alongamentos o sol surgiu, e as novidades ñ paravam.

O ar frio dissipou-se com o início de nossos kiais, pois deste o começo até o fim o Kihon nunca foi tão forte. Sempai Rodrigo passou novos exercícios e corrigiu em todos pequenos erros. Kakarigueikos, tataris men, kote, do, em geral pegamos o treino e revisamos tudo.

Em seguida depois de muito Kihon, teve shiai e sentimos a diferença.

E por fim, já exaustos, fizemos suburis com bogu, cruzamos as espadas e fizemos o último zanshin.

Narabê, mokuso, o asfalto quente já ñ mais nos incomodava, havíamos superado a nós mesmos como o sol entre as nuvens, brilhamos mais neste dia.

 

Neste dia também recebi minha certificação de 7º kyu.

 

Domo Arigato Sempai Rodrigo, e kohais

Domo Arigato Sempai Wenzel

Sayonara,

Edson Cabral 

 

 

1º Relato – Zanshin nas pedras

Unidade Juiz de Fora- dia 20/02/05

 

O treino de kenjutsu neste domingo foi feito no Museu Mariano Procópio, as nove horas da manhã, num dia ensolarado.

Após vários treinos naquele mesmo local e nos mesmos domingos, as chuvas, o tempo mal  nos dava trégua, no treino passado houve o caso raro de cancelamento devido a chuva forte.

E no treino de hoje forte estava nossa vontade de retornar a cruzar as espadas. Começamos com várias seções de alongamentos e deixamos somente por estes instantes as espadas repousadas, mas assim q deram por fim, retornamos a empunhá-las.

A seguir fizemos jogueiburi, nananeiburi e suburi, e já ñ nos incomodava mais o piso desregular de paralelepípedos desalinhados e pedras soltas. Depois do zanshin dos suburis, cruzamos as espadas e treinamos em duplas várias seqüências de men uchi, kote uchi e do uchi. Depois feito o mesmo mas com bogu, eu e o Sempai Rodrigo demonstramos a aplicação nele mais uma vez. Depois de tanto atacar também foi ministrado a aplicação da defesa, mas somente o básico, que a seguir veio o treino meu e do Sempai com os kaeshis men, kote e do.

Depois eu e o Sempai Rodrigo fizemos kakarigueikos e kirikaeshis revezando eu o treinamento com os kohais de men uchi, kote e do, fazendo deste treino mais firme que o de costume.

Com a chegada de um interessado de conhecimento do Sempai Rodrigo, fiquei ministrando o treino segundo coordenações dele. Após determinado tempo de conversa parece que o tempo que iríamos nos confrontar foi consumido sem intenção do mesmo e com o tempo esgotado o shiai foi adiado, e o narabe foi pronunciado e dado fim a mais um treino.

 

Sol, pedras e suor foi o que restaram…

 

 

Domo Arigato Sempai Rodrigo, e kohais

Domo Arigato Sempai Wenzel

Sayonara,

Edson Cabral